NR-1 e saúde mental: o que sua empresa precisa fazer
A NR-1 revisada obriga empresas a incluir riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Isso significa mapear fatores como sobrecarga, assédio, insegurança e falta de reconhecimento; avaliar sua severidade; e implementar controles. Não é opcional nem campanha de conscientização — é obrigação documentada que se soma a riscos físicos, químicos e biológicos.
Em resumo
- NR-1 revisada inclui riscos psicossociais no PGR.
- PGR passa a mapear, avaliar e controlar fatores mentais e emocionais.
- Prazos escalonados por porte de empresa.
- Executa SESMT + RH + gestores.
- Ferramentas: escuta ativa, canais, pesquisas.
- Fiscalização já ocorre — não espere autuação para agir.
O que é a NR-1 e por que muda em 2025-2026
A NR-1 é a Norma Regulamentadora que fixa disposições gerais e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) é o documento principal do GRO. Historicamente, o PGR tratava de riscos físicos (ruído, calor), químicos (poeira, vapor) e biológicos (agentes infecciosos).
A revisão publicada em 2024 e com implementação escalonada a partir de 2025-2026 incluiu explicitamente riscos psicossociais. Isso muda a natureza do PGR: ele deixa de ser instrumento apenas de SST tradicional e passa a olhar para trabalho, gestão e cultura.
O que são riscos psicossociais
- Sobrecarga — volume ou complexidade acima do razoável;
- Ritmo excessivo — prazos impossíveis, jornada estendida crônica;
- Falta de autonomia — controle rígido, microgerenciamento;
- Falta de reconhecimento — trabalho invisível, feedback ausente;
- Insegurança — cortes recorrentes, mudanças abruptas;
- Assédio moral e sexual — inclui isolamento, exposição, humilhação;
- Conflitos éticos — pressão para agir contra valores;
- Isolamento — trabalho solitário sem suporte.
O que a empresa precisa fazer
- Mapear os riscos psicossociais existentes por área;
- Avaliar severidade (probabilidade × dano);
- Definir controles — mudanças de processo, treinamento de liderança, canais de escuta;
- Documentar tudo no PGR;
- Revisar periodicamente com base em indicadores.
Prazos
A implementação foi escalonada por porte. Verifique a versão atualizada da norma no portal do Ministério do Trabalho e valide com sua área de SST o cronograma que se aplica a você. Empresas de médio e grande porte já estão obrigadas.
Quem executa: SESMT + RH + liderança
- SESMT conduz metodologicamente o PGR (mapeamento, matriz de risco, plano);
- RH fornece dados (clima, turnover, absenteísmo, licenças médicas) e apoia comunicação;
- Liderança direta executa controles no dia a dia — a gestão é onde o risco vive;
- CIPA participa da avaliação.
Ferramentas concretas
- Pesquisa periódica de clima com módulo de saúde mental;
- Canal de denúncia anônimo (ombudsman ou terceirizado);
- Programa de apoio ao empregado (PAE) com atendimento psicológico;
- Treinamento de líderes para identificar sinais e conversar;
- Revisão de metas quando o dado de sobrecarga aparece.
Jornada como fator de risco
Um dos fatores mais concretos de risco psicossocial é jornada excessiva crônica. Banco de horas positivo persistente, horas extras habituais, escalas 6x1 sem folga real — tudo isso aparece no PGR moderno. Ter dados confiáveis de jornada (via sistema de controle de ponto) permite identificar áreas críticas antes que o problema estoure em afastamento ou ação trabalhista.
Checklist para 2026
- PGR revisado incluindo fatores psicossociais — obrigatório;
- Pesquisa de clima com módulo de saúde mental;
- Canal anônimo de denúncia ativo e comunicado;
- Programa de apoio psicológico contratado;
- Treinamento de líderes anual;
- Indicadores mensais: turnover, absenteísmo, licenças médicas psiquiátricas;
- Revisão de metas quando sobrecarga aparece.


